terça-feira, 29 de março de 2011

Depoimento de Rita Lee



     "Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
     Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.
     Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres?
Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturado por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas.
     Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.
     Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.
     Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem  poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz de uma mulher que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
     As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.
     É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.
     E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher.
     Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.
     Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos.
     Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
     São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.
     Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."

quinta-feira, 24 de março de 2011

Venda nos Olhos



     Você conhece a lenda do rito de passagem da juventude dos índios?
     O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.
     O filho se senta sozinho no topo de uma montanha durante toda a noite e não pode remover a venda até que os raios do sol brilhem no dia seguinte.
     Ele não pode gritar por socorro para ninguém. Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem. Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
     O menino está naturalmente amedrontado. Ele pode ouvir toda espécie de barulho. Os animais selvagens podem estar ao redor dele. Talvez alguns humanos possam feri-lo. Os insetos e cobras podem vir picá-lo. Ele pode estar com frio, fome e sede. O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele não remove a venda .
     Segundo os índios, este é o único modo dele se tornar um homem.
     Finalmente, após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida. Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele. Ele esteve alí a noite inteira protegendo seu filho do perigo.
     Nós também nunca estamos sozinhos! Mesmo quando não percebemos, Deus está olhando para nós, 'sentado ao nosso lado'. Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo.
     Moral da história:
     Apenas porque você não vê Deus, não significa que Ele não esteja conosco. Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material.
     Se você gostou desta história, evite tirar a sua venda antes do amanhecer...

(autor desconhecido)

sábado, 19 de março de 2011

Viver Despenteada


     Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
     O mundo é louco, definitivamente louco!
     O que é gostoso engorda.  O que é lindo custa caro. O sol que ilumina o rosto dá rugas.
     E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor despenteia.
- Rir às gargalhadas despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar despenteia.
- Tirar a roupa despenteia.
- Beijar a pessoa amada despenteia.
- Brincar despenteia.
- Cantar até ficar sem ar despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
     Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado… Mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
      É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa do que aquela que decide não subir.
     Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora,
     O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
     Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria… e talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz?
     Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita…
     A pessoa mais bonita que posso ser!
     O que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.
     Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:
     Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável, admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!
     O pior que pode acontecer é que, rindo em frente ao espelho, você precise se pentear de novo...

sábado, 12 de março de 2011

Sexo Frágil?




     Esses dias atrás nós fomos a um baile de formatura. Estava ótimo! Dançamos até dizer chega e voltamos para casa às 4 da manhã. No dia seguinte pedi para Deus me agraciar com a capacidade de levitar pois meus pés estavam moídos... Pensei: "Porcaria de salto alto!"
     Aí, passaram-se mais alguns dias e quando os meus pés voltaram ao normal eu acordei com uma mega cólica menstrual. Estava com tanta dor que não tive como pedir nada para Deus... Pensei: "Legal! Estou menstruada!"
     Na semana seguinte, já recuperada de tudo, fui passear no shopping. Olhando as vitrines reparei num detalhe: uma loja estava vendendo um pack com 6 cuecar por R$16,90, 1 calcinha por R$12,90 e 1 sutiã por R$39,90... Então pedi para Deus aumentar o meu salário e pensei seriamente em começar a usar cuecas e abolir o uso do sutiã!
     Na volta para casa eu fui pensando que as mulheres usam salto alto, tem cólica, ficam menstruadas, pagam beeeem mais caro na roupa íntima e, se já não bastasse tudo isso, vão à manicure, fazem depilação, vivem de dieta, tem o seu corpo transformado durante a gestação, mensalmente encontram-se com os hormônios em fúria e... FAZEM TUDO O QUE OS HOMENS FAZEM!!!
     Aí vem a minha pergunta: Qual realmente é o sexo frágil?
     Mulheres querem que os homens abram a porta do carro, segurem o elevador, entre outras coisas. Frescura? Não! Gentileza!
     Mulheres choram quando estão felizes, dão risada quando não pode, entre outras coisas. Loucura? Não! Sensibilidade!
     Então, embora o universo feminino seja gentil e sensível, o nosso sexo, com certeza, não é o frágil!